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Dados do Emprego Nacional – Até onde perguntar?

O mundo do emprego, a nível mundial, tem enfrenado novos desafios potenciados pela pandemia criada pela doença Covid-19. Temos, pois, a nova noção de “The Great Resignation”, uma tendência mundialmente conhecida que levou os trabalhadores a despedirem-se, voluntariamente, dos seus empregos.  

Esta tendência deve-se ao facto da mobilização digital se ter tornado maior e os novos cenários de trabalho serem muito atrativos para certas áreas, nomeadamente digitais, as quais permitiram um aumento do rendimento e da força de trabalho. 

Neste sentido, é curioso ver que existem países como os Estados Unidos da América que recolhe dados sobre os trabalhadores que, voluntariamente, saíram dos seus empregos. Veja-se um artigo datada de 01 de outubro de 2021 da Harvard Business Review, de Debbie Cohen and Kate Roeske-Zummer, denominado “With So Many People Quitting, Don’t Overlook Those Who Stay”, no qua é referido que de acordo com dados do  Departamento de Trabalho dos EUA (U.S. Department of Labor), entre os meses abril a junho de 2021 cerca de 11,5  milhões de trabalhadores se despediram. 

O apuramento destes dados não se pode deixar de considerar curioso quando, em Portugal, temos acesso somente à população empregada e desempregada, com dados geralmente desagregados por idade, género e residência. A este propósito, veja-se os dados pulicados pelo Instituto Nacional de Estatística sobre 2021 

Ou seja, a população que optou por denunciar os seus contratos de trabalho – vulgo, despediram-se – não tem dados apurados. Dir-se-á que no setor público talvez fosse mais fácil fazer este apuramento, mas e no setor privado? Será que o panorama nacional a esse propósito traria uma nova visão aos empregadores e recrutadores? Como poderiam estes dados ser recolhidos e transmitidos para efeitos estatísticos? Seria possível esta desagregação estar disponível em Portugal? Ou, pelo facto de ser uma saída voluntária e possíveis questões que poderia trazer – ex: sai para mudar de emprego, sai para descansar, sai para um GAP Year – seriam intrusivas na intimidade do ex-trabalhador? 

Ficam as questões para que, ao ver como agem outros países, possamos todos pensar. 

 

Catarina Venceslau de Oliveira | DCM Lawyers

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