“Não temos tempo para formação.” Esta é, provavelmente, uma das frases mais repetidas nas empresas quando o trabalho aperta, os prazos se acumulam e as equipas estão sobrecarregadas. O problema é que, muitas vezes, a falta de tempo para formar acaba por criar ainda mais falta de tempo para trabalhar.
Uma equipa que não atualiza conhecimentos demora mais a resolver problemas, repete erros, depende excessivamente de algumas pessoas e tem maior dificuldade em adaptar-se a novas ferramentas, regras ou formas de organização. Pelo contrário, equipas bem preparadas trabalham com mais autonomia, tomam decisões com maior segurança e conseguem responder mais rapidamente às mudanças.
Os números ajudam a perceber a dimensão do desafio. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Económico Mundial, 59 em cada 100 trabalhadores necessitarão de formação ou requalificação até 2030. Além disso, 63% dos empregadores já consideram a falta de competências um dos principais obstáculos à transformação das suas organizações.
A formação deixou, por isso, de ser apenas um benefício atribuído aos trabalhadores. É uma necessidade operacional e uma ferramenta de gestão.
A Gallup estima que as organizações poderiam alcançar um aumento de 14% na produtividade e de 18% nos resultados, caso duplicassem a proporção de trabalhadores que sentem ter oportunidades de aprender e crescer no trabalho. A mesma entidade concluiu que os trabalhadores que consideram que a sua organização os incentiva a desenvolver novas competências apresentam uma probabilidade 47% inferior de procurar outro emprego.
Esta relação entre aprendizagem e retenção também surge nos estudos do LinkedIn Learning: 90% das organizações manifestam preocupação com a retenção de talento e a criação de oportunidades de aprendizagem é apontada como a principal estratégia para evitar a saída de trabalhadores.
Mas formar não significa escolher um curso apenas para preencher horas ou cumprir uma obrigação legal. Uma formação eficaz deve responder a problemas concretos: erros que se repetem, procedimentos que não são uniformes, alterações legislativas, dificuldades de comunicação, falhas de liderança ou novas ferramentas que a equipa ainda não domina.
Também não basta formar apenas quem já demonstra interesse. As organizações retiram maior valor da formação quando esta faz parte de uma estratégia, envolve as chefias e permite que o conhecimento adquirido seja aplicado e partilhado no trabalho diário.
Em Portugal, o Código do Trabalho reconhece a cada trabalhador o direito a um mínimo anual de 40 horas de formação contínua. Mas limitar a formação ao cumprimento deste número é desperdiçar uma oportunidade. Quando bem escolhida, a formação reduz erros, melhora processos, aumenta a confiança das equipas e ajuda a reter pessoas que conhecem a organização e contribuem para o seu crescimento.
A verdadeira questão já não é saber quanto custa formar uma equipa. É perceber quanto custa manter uma equipa sem os conhecimentos de que precisa.
Já fez as suas contas?
Leonor Frazão Grego