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Quanto custa um trabalhador que não sabe exatamente o que tem de fazer?

Nem todos os custos de uma empresa aparecem numa fatura.

Há horas perdidas a confirmar procedimentos, trabalhos que têm de ser refeitos, decisões adiadas porque ninguém tem segurança para as tomar, reclamações que poderiam ter sido evitadas e chefias que passam uma parte significativa do dia a responder às mesmas dúvidas.

Individualmente, parecem pequenos problemas. Multiplicados por uma equipa e por um ano inteiro, deixam de ser pequenos.

E nem sempre estamos perante trabalhadores pouco competentes. Muitas vezes, estamos perante trabalhadores que não receberam a preparação necessária para fazer bem o seu trabalho.

Segundo a Gallup[1], apenas cerca de metade dos trabalhadores, a nível global, afirma saber claramente o que é esperado de si no trabalho. E a clareza das funções está diretamente relacionada com resultados como produtividade, retenção, segurança e envolvimento dos trabalhadores.

É fácil perceber porquê.

Quando um trabalhador não domina um procedimento, pergunta a um colega. O colega interrompe o que está a fazer. Se ambos tiverem dúvidas, o assunto chega à chefia. A chefia analisa, corrige e explica. Se o erro já tiver sido cometido, talvez seja ainda necessário repetir trabalho, responder a um cliente ou resolver uma consequência que poderia ter sido evitada.

O custo de uma lacuna de conhecimentos raramente corresponde, por isso, apenas ao tempo daquele trabalhador.

A OCDE analisou precisamente o impacto das lacunas de competências nas empresas e concluiu que estas estão associadas a maior carga de trabalho para os restantes trabalhadores, aumento dos custos operacionais, perda de produtividade e dificuldades na implementação de novas práticas de trabalho. Mais de uma em cada três empresas analisadas identificou diferenças entre as competências de que necessita e aquelas de que efetivamente dispõe.

A formação pode ajudar a quebrar este ciclo, desde que seja a formação certa.

Não se trata de enviar toda a equipa para um curso/formação porque existem horas de formação para cumprir. Trata-se de identificar onde estão os problemas reais.

Há procedimentos que geram dúvidas constantemente? Erros que se repetem? Trabalhadores demasiado dependentes das chefias? Alterações legislativas que ainda não foram incorporadas nas práticas da organização? Novas ferramentas que estão a ser utilizadas apenas parcialmente? Conhecimento essencial concentrado numa única pessoa?

É aí que deve começar o plano de formação.

A própria OCDE sublinha que a formação é mais eficaz quando é direcionada para as competências que efetivamente estão em falta e resulta de uma avaliação regular das necessidades da organização. Quando não existe essa correspondência, a formação pode transformar-se numa oportunidade perdida, sem impacto real na produtividade ou no desempenho.

Uma equipa bem preparada não é aquela que nunca tem dúvidas. É aquela que dispõe dos conhecimentos, das ferramentas e da autonomia necessários para resolver a maioria delas.

Por isso, antes de perguntar “quanto custa esta formação?”, talvez valha a pena fazer outra conta:

quanto nos está a custar não fazer formação?

Leonor Frazão Grego


[1] A Gallup é uma empresa norte-americana de investigação e consultoria, fundada em 1935, reconhecida pelos seus estudos sobre opinião pública, comportamento dos trabalhadores, liderança, produtividade e envolvimento nas organizações. A Gallup produz há décadas estudos sobre o chamado employee engagement, isto é, o grau de envolvimento, motivação e ligação dos trabalhadores ao seu trabalho e à organização.

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